O que vem depois do SAF berçário

O que vem depois do SAF berçário

Categoria(s): Arquivo, Plantando Águas

Publicado em 27/01/2020

Texto: Marina Vieira | Ilustrações: Patrícia Yamamoto

Um dos pilares do Plantando Águas é o restauro florestal por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs), que podem assumir diferentes configurações. O “SAF berçário” foi uma solução criada pela equipe para recuperar uma área degradada e dar as melhores condições possíveis para o crescimento de uma agrofloresta num curto período de tempo e com pouco dinheiro. Consiste em uma estruturação da área para implantar o SAF, que começa com uma análise de solo, para saber se ele precisa de alguma correção; corrigir caso necessário; plantar adubo verde e planejar o que será feito.

Para o adubo verde, a espécie usada foi o feijão guandu. “Com ele temos um ambiente ideal para a recuperação, pois suas raízes propiciam uma boa descompactação do solo, e a parte área produz um grande volume de biomassa”, explica José Manoel (Maneco) Zago, do Centro Agroecológico Ka’a Kati, que coordena o projeto na região de Piedade. Plantando o feijão, em pouco tempo o agricultor consegue criar um microclima ideal para o desenvolvimento das mudas de árvores do SAF, e em cerca de seis meses começa a produção de serapilheira, o que cria um ambiente propício para os pequenos seres vivos que promovem a saúde do solo e das plantas.

A partir deste SAF berçário, as possibilidades são tão diversas quanto a própria diversidade da natureza. Pode-se tirar ou não o guandu, dependendo do objetivo: se for para melhorar o teor de nitrogênio do solo, deve ser tirado antes que dê flores; se for para criar um o ambiente bom para o crescimento de árvores, pode ser deixado, cortando-se alguns apenas para aumentar a entrada de luz do sol nas mudas.

 


Crescimento do guandu numa área degradada

Aqui, três exemplos potenciais do que fazer depois de um SAF berçário.

SAF com horta

Cuidar de uma horta é muito melhor sob a sombra de uma árvore, não é? Mas as hortaliças precisam de pelo menos 70% de luminosidade, então, num SAF com horta as faixas entre as linhas de árvores permanentes devem ser calculadas de forma não atrapalhar a entrada de luz do sol nos canteiros. O guandu pode ser retirado apenas das “ruas” em que serão implantadas hortas, e mantido nas faixas que terão as árvores.

SAF com fruta

Sente e relaxe: nesse SAF não é necessário retirar o guandu da área, pois este propicia uma ótima proteção contra geadas e insolação direta, fatores que prejudicam o desenvolvimento das mudas. Mantenha apenas o chão em volta da muda limpo, para não ter competição com as plantas que surgirem, e, depois de crescidas, faça a manutenção das árvores com podas regulares.

SAF com gado

Também conhecido como sistema agrosilvipastoril, é um modelo que demora mais para ser implementado, pois o animal, se for de porte grande, só pode ser introduzido na área quando as árvores já tiverem crescido o suficiente para que suas copas sejam mais altas que os bichos. No plantio, as faixas de árvores permanentes devem ser mais largas, com 10 a 12 metros de distância entre cada faixa, pois as forrageiras, que são as plantas usadas para pastagem, necessitam de mais luz. O guandu entre as árvores pode ser deixado, da mesma maneira que no SAF com frutas. Ele tem um ciclo de vida mais curto, então quando as criações forem adicionadas, é provável que não esteja mais lá. E, se estiver, ele pode ser uma ótima fonte de proteína para os animais!

Tag(s): agrofloresta, sistema agroflorestal

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