Selo Carbon Free e projeto de restauração florestal na Fazenda da Toca ajudam propriedade a obter R$ 25 milhões em títulos verdes

Selo Carbon Free e projeto de restauração florestal na Fazenda da Toca ajudam propriedade a obter R$ 25 milhões em títulos verdes

Categoria(s): Carbon Free

Publicado em 29/06/2021

A Fazenda da Toca é uma propriedade agrícola de 2.300 hectares, localizada em Itirapina, interior do estado de São Paulo, com um projeto de sustentabilidade robusto. Os ovos orgânicos, carro-chefe da fazenda, foram os primeiros ovos a receberem o selo Carbon Free, da Iniciativa Verde, comprovando a neutralização das emissões de gases do efeito estufa associadas a cada ovo produzido. A compensação, que no Carbon Free é feita por meio do restauro florestal, está sendo implementada na própria fazenda. Ambas as iniciativas foram decisivas para a obtenção de cerca de R$25 milhões em títulos verdes pela Toca – uma modalidade de crédito agrícola que tem condicionantes de sustentabilidade.

A vontade de causar impacto ambiental positivo esteve presente desde que Pedro Paulo Diniz assumiu a direção da fazenda, em 2009, para tocar uma produção agropecuária orgânica em larga escala. A preservação e restauração florestais foram vistas como uma forma excelente de colocar este objetivo em prática. Atualmente, a propriedade já tem um excedente de floresta pelos parâmetros do Código Florestal de 2012, somando 35% de área em Reserva Legal (RL) e Área de Proteção Permanente (APP), quando o mínimo exigido pela lei é de 20%. Mesmo assim, a Toca “abriu mão” de mais 100 hectares que eram de pasto para novos projetos de restauração, em parceria com a Iniciativa Verde.

O responsável pelo setor de sustentabilidade da Fazenda da Toca, Paulo Araújo, conta que para eles é fundamental valorizar a floresta em pé. “É muito importante para um negócio orgânico atrair os serviços ecossistêmicos próximos da gente, como a produção de água, os polinizadores e a biodiversidade. Ter uma área florestal na fazenda é estratégico”, explica.

Restauração orgânica 
Não apenas a produção comercial da Fazenda é completamente orgânica, como os processos de restauração que serão desenvolvidos com a Iniciativa também seguirão livres de qualquer tipo de herbicida contra as espécies invasoras. É uma novidade que desafia Osvaldo Stela, engenheiro florestal, um dos fundadores da Iniciativa Verde e hoje parceiro no projeto de restauração na Toca. “Vamos fazer a corrida da muvuca contra o capim”, brinca Stela, referindo-se a uma das técnicas de restauração que serão utilizadas nos 100 hectares.

O processo, inclusive, começou ali: definir as técnicas de restauração de acordo com aptidão de cada área. Onde é possível entrar com máquinas agrícolas - terrenos planos, sem muitos obstáculos - o método será da muvuca, ou semeadura direta, que consiste no plantio de um coquetel de sementes agrícolas e florestais. A “corrida”, no caso, é das espécies de interesse, que vão nutrir o solo e criar as condições ideais para o crescimento das árvores nativas, contra a braquiária, uma gramínea invasora muito utilizada em pastos, altamente resistente e prejudicial no processo de recuperação de uma floresta.

Outras estratégias aplicadas serão a de regeneração natural, em locais mais propensos, onde será feito apenas manejo de espécies invasoras, a de plantio de mudas, em locais sem condições para regeneração natural de difícil acesso, e a de sistema agroflorestal, combinando linhas de espécies arbóreas nativas com linhas de capim para pastagem.

Ovos Carbon Free 
Dos 100 hectares em restauração na Toca, 23 foram destinados à compensação de carbono dos ovos. O inventário foi feito pela Iniciativa Verde, usando a metodologia do GHG Protocol e do GHG Protocol Agropecuária, esta fruto de uma parceria entre o World Resources Institute (WRI), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A equipe técnica da Iniciativa estudou todas das etapas da produção diretamente controladas pela Fazenda da Toca e chegou ao resultado de 44,57 gramas de carbono equivalente (CO2e) por ovo.

Pode parecer pouco, mas, como setor, a agropecuária hoje é responsável por quase 70% das emissões de gases do efeito estufa (GEE) do Brasil, segundo levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa. É neste cenário que se encaixa o Carbon Free dos ovos da Toca. A empresa, ciente de que sua produção, por mais sustentável que seja, possui impactos em relação às mudanças climáticas, reconhece a importância de pensar num sistema que melhore o balanço das emissões de GEE, por meio de práticas que reduzam onde for possível as emissões, e compensem onde não for.

Os resultados já estão aparecendo. Paulo Araújo relata que tanto o selo Carbon Free quanto o projeto de restauração foram avaliados na obtenção dos créditos verdes. “A Fazenda ganhou muitos pontos pelo pioneirismo de aderir ao Carbon Free. O programa, somado a todo o conjunto de práticas regenerativas, foram muito importantes”, declara.

Agora, os planos são aumentar a capacidade produtiva e atingir novos públicos, expandindo o mercado enquanto as novas florestas crescem na Fazenda da Toca.

 

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